A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta quinta-feira (29), a Operação Mexicano, uma ofensiva contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As investigações identificaram movimentações financeiras que somam aproximadamente R$ 95 milhões, supostamente relacionadas às atividades ilícitas do grupo.
A operação é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de São Leopoldo e mobiliza equipes policiais em municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre e do Litoral Norte gaúcho.
Até a última atualização divulgada, dez pessoas haviam sido presas. Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais também apreenderam entorpecentes.
Justiça determina prisões e bloqueio de patrimônio
A ofensiva policial foi autorizada pelo Poder Judiciário e contempla 11 mandados de prisão preventiva, 15 mandados de busca e apreensão e seis medidas cautelares diversas da prisão.
Além das prisões, a Justiça determinou medidas patrimoniais, incluindo o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens vinculados aos investigados.
O objetivo é interromper a circulação de recursos de possível origem criminosa e atingir a estrutura financeira que, segundo a investigação, sustentaria as atividades do grupo.
Operação alcança três municípios do Litoral Norte
As diligências ocorrem simultaneamente em nove cidades do Rio Grande do Sul.
No Litoral Norte, os mandados são cumpridos em Imbé, Osório e Capão da Canoa.
Na Região Metropolitana e em outras localidades do estado, a operação também alcança Porto Alegre, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Portão, Charqueadas e Montenegro.
A ação conta com apoio da Polícia Penal.
Investigação começou após operação que resultou em 17 prisões
A Operação Mexicano é um desdobramento de uma investigação anterior sobre uma organização criminosa suspeita de comercializar drogas de alto valor por meio de um sistema de tele-entrega.
O procedimento inicial resultou em 17 prisões em 2024.
A partir daquele trabalho, os investigadores aprofundaram as apurações para identificar os responsáveis pela movimentação e distribuição dos recursos financeiros provenientes das atividades investigadas.
O avanço das diligências permitiu mapear uma rede de transações bancárias entre diferentes envolvidos, levando a Polícia Civil a concentrar esforços na identificação dos mecanismos utilizados para movimentar e ocultar o dinheiro.
Movimentações de R$ 95 milhões chamaram a atenção dos investigadores
Um dos principais pontos da investigação envolve a análise de movimentações financeiras que, somadas, alcançaram aproximadamente R$ 95 milhões.
Conforme a Polícia Civil, os investigadores examinaram informações bancárias e fiscais obtidas mediante autorização judicial.
Entre os indícios identificados estão transferências frequentes entre investigados, fracionamento de valores, grande quantidade de operações realizadas por meio do Pix e movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada de determinados envolvidos.
As apurações também apontaram a possível utilização de contas bancárias para receber, transferir e redistribuir recursos, em um mecanismo investigado como parte de um esquema de lavagem de dinheiro.
O montante de R$ 95 milhões corresponde às movimentações financeiras analisadas pela investigação e não representa, necessariamente, o valor de dinheiro apreendido ou bloqueado durante a operação.
Polícia Civil busca atingir estrutura financeira do crime organizado
A Operação Mexicano integra uma estratégia de investigação que vai além da identificação dos responsáveis pela comercialização de entorpecentes.
O trabalho também busca identificar os mecanismos financeiros utilizados para movimentar, ocultar e eventualmente reinserir recursos de origem ilícita na economia formal.
Segundo a Polícia Civil, a atuação sobre o patrimônio e as movimentações bancárias dos investigados é uma das medidas adotadas para enfraquecer a capacidade de financiamento das organizações criminosas.
As investigações continuam, e o balanço de prisões e apreensões poderá ser atualizado pelas autoridades.

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