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Quarta-feira, 27 de Maio 2026

Notícias/Geral

Nova CNH causa onda de demissões em CFCs do RS e preocupa setor de trânsito

Cerca de 2 mil trabalhadores foram desligados desde dezembro com as novas regras. Sindicato alerta para riscos à segurança e qualidade da formação de motoristas

Nova CNH causa onda de demissões em CFCs do RS e preocupa setor de trânsito
Reprodução/Rede Social
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O setor de formação de condutores no Rio Grande do Sul enfrenta uma crise desde a entrada em vigor das novas normas da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). De acordo com o Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do RS (SindiCFC-RS), cerca de 2 mil trabalhadores já foram demitidos desde dezembro de 2025. A projeção da entidade é de que esse número possa chegar a 2,5 mil desligamentos ainda em janeiro.

Os desligamentos ocorrem em meio à aplicação da Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que altera profundamente o processo de habilitação no país. No RS, as novas diretrizes passaram a valer oficialmente no dia 5 de janeiro de 2026.

Segundo o sindicato, instrutores teóricos, diretores de ensino e profissionais de apoio foram os mais impactados pelas mudanças, uma vez que suas funções foram extintas ou reduzidas significativamente com o novo formato. O setor já contabiliza uma redução de aproximadamente 20% no quadro de funcionários, o maior enxugamento da história recente da categoria.

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“Formação está sendo precarizada”, alerta sindicato

O presidente do SindiCFC-RS, Vilnei Sessim, criticou duramente a nova regulamentação, afirmando que ela compromete a qualidade da formação dos motoristas e retira a possibilidade de manter profissionais especializados.

“Não há como manter mão de obra qualificada se não existe mais exigência de aulas. A redução de custos veio acompanhada de uma perda significativa na qualidade da formação”, disse.


Principais mudanças nas aulas e formação prática

Entre os pontos mais polêmicos da nova regra está a redução da carga horária mínima obrigatória para tirar a CNH:

Antes:

  • 45 horas de aulas teóricas

  • 20 horas de aulas práticas

Agora:

  • Apenas 2 horas práticas

  • Nenhuma aula teórica obrigatória, substituída por uma prova de conhecimentos gerais

Para o sindicato, isso representa um retrocesso e coloca a segurança no trânsito em risco, permitindo, por exemplo, que aprendizes treinem com familiares em veículos sem sinalização e sem pedal auxiliar.

“Pais poderão ensinar filhos em carros comuns, sem qualquer preparo técnico. Isso pode resultar em mais acidentes e atropelamentos”, alerta Sessim.


Mobilização em Brasília e propostas de revisão

O sindicato informou que está atuando junto a uma comissão especial na Câmara dos Deputados, buscando reverter ou ajustar pontos considerados críticos da nova regulamentação. Entre as principais reivindicações estão:

  • Obrigatoriedade de veículos com duplo comando (pedal de freio auxiliar)

  • Identificação visual obrigatória em veículos de aprendizagem

  • Regras claras para instrutores autônomos

“Veículos de aprendizagem precisam ter, no mínimo, pedal de freio auxiliar. Isso salva vidas”, reforçou Sessim.


Outras mudanças que afetam a CNH

Além da Resolução nº 1.020, outras medidas recentes também afetam o sistema de habilitação:

Medida Provisória 1.327/2025

  • Permite renovação automática da CNH para motoristas sem infrações

  • Define teto para custos de exames físicos e mentais

Lei 15.153/2025

  • Reinstitui o exame toxicológico obrigatório

  • Exigência passa a valer também para a primeira habilitação de A e B (carros e motos)


Posição do DetranRS

Em nota oficial, o DetranRS informou que está acompanhando as mudanças e que atua para garantir a segurança viária mesmo diante das novas normas. A autarquia declarou que ainda trabalha em regulamentações complementares, com previsão de conclusão até março.

“O DetranRS prioriza a segurança no trânsito, evitando riscos aos cidadãos e aos profissionais envolvidos”, destacou a nota.


Riscos à segurança e à formação de novos motoristas

Especialistas e representantes do setor apontam que o novo modelo, se mantido, pode provocar queda na qualidade da formação de condutores, o que tende a refletir nos índices de acidentes, imprudências e infrações nos próximos anos.

O debate agora gira em torno de encontrar um equilíbrio entre facilitar o acesso à CNH e preservar a segurança no trânsito, tema que deve continuar em discussão nos próximos meses no Congresso Nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Correio do Povo
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Redação

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