O El Niño deverá ganhar força nos próximos meses e pode alcançar intensidade muito elevada entre a primavera e o início do verão. As projeções mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reforçam um cenário de forte aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Os dados oficiais do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, divulgados em julho, colocam a ocorrência do El Niño em 100% de probabilidade em vários trimestres consecutivos de 2026, incluindo o período entre setembro e novembro e entre outubro e dezembro.
Mais do que a ocorrência do fenômeno, porém, é sua possível intensidade que chama atenção.
Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro de 2026, a projeção oficial apontava 81% de probabilidade de o índice utilizado pela NOAA atingir a faixa correspondente a um El Niño muito forte, com anomalia igual ou superior a 2°C. Para setembro, outubro e novembro, essa possibilidade aparecia em 71%.
Modelos experimentais apontam cenário excepcional
Outro sistema desenvolvido por pesquisadores ligados à NOAA também apresenta um cenário significativo.
As projeções experimentais do modelo SPEAR, do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos (GFDL), indicaram em julho a continuidade da intensificação do El Niño durante o segundo semestre, com pico projetado para o final da primavera ou começo do inverno no Hemisfério Norte — período correspondente ao final da primavera e início do verão no Brasil.
Nas simulações realizadas, os 30 membros do conjunto do modelo apresentaram um pico de intensidade comparável aos episódios mais fortes registrados no último século.
É importante destacar, entretanto, que essas projeções são experimentais e não significam que todos os impactos observados em grandes eventos históricos necessariamente voltarão a ocorrer.
El Niño forte não significa automaticamente desastre
A própria NOAA ressalta que a intensidade do El Niño não determina, sozinha, a intensidade dos impactos meteorológicos em uma determinada região.
Um evento muito forte aumenta a confiança em alguns padrões climáticos historicamente associados ao fenômeno, mas não permite afirmar antecipadamente que uma cidade terá determinado volume de chuva, enchente ou tempestade.
Os efeitos dependem da interação do El Niño com frentes frias, sistemas de baixa pressão, circulação atmosférica, temperatura do Atlântico e outros mecanismos que influenciam o tempo.
Por isso, previsões de longo prazo devem ser interpretadas como tendências climáticas, e não como previsão de um evento meteorológico específico para determinado município.
O que é o El Niño?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais de uma extensa área do Oceano Pacífico Equatorial.
Embora aconteça a milhares de quilômetros do Brasil, essa alteração na temperatura do oceano modifica padrões da circulação atmosférica e pode influenciar o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta.
A NOAA acompanha principalmente a região conhecida como Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial central e oriental, para avaliar a evolução do fenômeno.
E o que isso pode representar para o Rio Grande do Sul?
Para o Sul do Brasil, episódios de El Niño são historicamente associados a uma maior possibilidade de períodos com precipitação acima da média, especialmente durante determinadas épocas do ano.
Isso não significa que haverá chuva constante ou que todo o Rio Grande do Sul será atingido da mesma maneira.
Também não é possível, com meses de antecedência, afirmar que uma determinada cidade enfrentará enchentes ou temporais por causa do El Niño.
O que o fortalecimento do fenômeno proporciona é um sinal climático importante para acompanhamento, principalmente diante da possibilidade de alteração na frequência e distribuição das chuvas durante a primavera e o verão.
No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, a evolução do fenômeno também deverá ser acompanhada em conjunto com as previsões meteorológicas de curto e médio prazo, que possuem maior capacidade de identificar episódios específicos de chuva intensa, vento forte e instabilidade.
Pico pode ocorrer entre o fim de 2026 e início de 2027
Os modelos indicam que o El Niño deverá continuar se intensificando durante os próximos meses.
A projeção experimental divulgada pelo GFDL/NOAA em julho apontava um possível pico entre o final de 2026 e o começo de 2027, seguido posteriormente por uma tendência de enfraquecimento ao longo dos meses seguintes.
As previsões continuarão sendo atualizadas à medida que novas observações do oceano e da atmosfera forem incorporadas aos modelos.
A NOAA utiliza dados de satélites, boias oceânicas, medições atmosféricas e diferentes modelos computacionais para atualizar periodicamente as probabilidades relacionadas ao fenômeno.
Cenário exige acompanhamento, não alarmismo
Apesar das projeções expressivas, os números não devem ser interpretados como previsão automática de eventos extremos no Rio Grande do Sul.
Um El Niño muito forte é um fenômeno climático de grande relevância, mas seus efeitos variam conforme a região e dependem da combinação com outros fatores atmosféricos.
Nos próximos meses, portanto, será fundamental acompanhar as atualizações dos centros oficiais de meteorologia e climatologia para compreender de que maneira o fenômeno poderá influenciar o Rio Grande do Sul e o Litoral Norte.
A Líder TV e o Portal Litoral Urgente seguirão acompanhando as atualizações e as projeções para a região.

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