A escolha de uma mulher trans para representar o CTG Quero-Quero, de São Jerônimo, no Concurso Regional de Prendas da 2ª Região Tradicionalista, ganhou ampla repercussão nas redes sociais e passou a mobilizar debates sobre respeito, inclusão e tradição dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).
Segundo reportagem do jornalista Giovani Grizotti, do programa Repórter Farroupilha, e publicada também pelo portal Observador Regional, a representante da entidade é Bruno Pradella Machado, que poderá se tornar a primeira mulher trans a disputar o título estadual de Primeira Prenda do Rio Grande do Sul.
Em entrevista, o patrão do CTG Quero-Quero, Marcelo Pagini, afirmou que a decisão da entidade foi pautada pelo respeito às pessoas.
"Precisamos respeitar as pessoas. Essa é uma questão dela, não nossa. Cabe a nós respeitar", declarou.
A participação de Bruno representa um momento considerado inédito no tradicionalismo gaúcho. O primeiro desafio será o Concurso Regional de Prendas, que acontece no próximo fim de semana, no município de General Câmara.
Ligação com o tradicionalismo
De acordo com a reportagem, Bruno atua como técnica de enfermagem há quase cinco anos e atualmente cursa Radiologia. O vínculo com o tradicionalismo começou ainda na infância, incentivado pela família.
Ela participou de invernadas artísticas durante vários anos e permaneceu ativa no meio tradicionalista até 2019. Posteriormente, afastou-se das atividades durante o processo de transição de gênero e para dedicar-se à formação profissional.
Em 2025, após concluir a atualização dos documentos e passar a ser oficialmente registrada como mulher, retornou ao CTG Quero-Quero. O retorno ocorreu após manifestar interesse em participar da ciranda interna de prendas da entidade, tornando-se a primeira prenda adulta da história do CTG.
Desde então, vem se preparando para o concurso regional, estudando temas relacionados à cultura gaúcha e participando das atividades promovidas pelo centro de tradições.
Repercussão
A notícia rapidamente ganhou grande repercussão nas redes sociais, gerando manifestações favoráveis e contrárias à participação da candidata. O tema passou a ser amplamente debatido por integrantes do movimento tradicionalista e pelo público em geral.
Até o momento, a direção do CTG Quero-Quero mantém o posicionamento de que a escolha da representante foi realizada com base no respeito às pessoas e na participação da candidata nas atividades da entidade.
O concurso regional será realizado nos próximos dias e poderá representar um marco histórico no tradicionalismo gaúcho, caso a representante avance para a etapa estadual.

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